O luto nada mais é do que uma despedida sem volta.
É uma dor que não passa , apenas adormece.
Ela muda de lugar, muda de forma, mas permanece como marca.
Aprendemos com o luto.
Mas… o que exatamente aprendemos?
Aprendemos que ele pode deixar marcas profundas:
o abraço que faltou,
o “eu te amo” que não foi dito,
as palavras que ficaram presas na garganta
e todas as conversas que imaginamos depois que já era tarde.
O luto pode ser vivido de muitas formas.
Ele aparece no fim de um relacionamento que não deu certo,
na perda de um emprego,
no encerramento de um ciclo,
na morte física de alguém que amamos,
e em tantas outras perdas que a vida impõe.
Viver o luto é carregar uma ferida que dói sem explicação.
É tentar dar sentido ao que se perdeu,
ressignificar sentimentos,
questionar os “porquês” que ficaram em aberto
e revisitar tudo o que aconteceu em vida.
Depois da perda, nada parece fazer sentido.
Tudo fica confuso.
Perdemos o chão , literalmente.
Nada do que foi feito ou dito parece suficiente
para justificar ou aliviar a dor da ausência.
Não existe forma certa de viver o luto.
Cada pessoa sente à sua maneira, no seu tempo, com os recursos que tem.
Não é fraqueza sentir, nem exagero sofrer.
O luto não pede pressa ,pede espaço, cuidado e permissão.
Mas o amor vivido permanece.
Ele não se perde com a despedida.
Ele fica na memória, na história, no que foi construído.
A vida segue abrindo novos caminhos:
novos empregos,
novos ciclos,
novos encontros.
O fim dói, machuca e marca.
Mas, com o tempo, também ensina.
Não porque escolhemos aprender,
mas porque sobreviver à perda nos transforma.
Texto da Psicologa Fernanda Vanélli, produzido a partir de reflexões clínicas e vivências sobre o luto.

